ARQUITETURA NÃO É SOBRE
EDIFÍCIOS, E SIM SOBRE
PESSOAS

A cada dia de trabalho descubro mais que arquitetura é sobre pessoas, e não edifícios. Ok, o resultado final sempre é um ambiente construído – ou ao menos esperamos que seja – mas o objetivo não é o ambiente, a construção, o edifício per se, mas a vida que se desenvolverá ali.

Como arquiteta, projeto imaginando como vai ser a vida das pessoas naquele lugar. Qual vai ser a primeira coisa que ela verá ao acordar todos os dias? Que parte da casa mais terá orgulho de apresentar aos amigos quando eles vierem jantar? E, até mesmo, qual parte ela irá olhar e pensar: “bem, isso, hoje, eu faria diferente ” (porque sim, arquitetura também é sobre adaptação, e o ambiente no qual vivemos deve, sim, acompanhar nossas próprias mudanças).

Algumas pessoas imaginam que quando se projeta, pensamos em separar determinado espaço em compartimentos e decidir em qual ambiente faremos aquela parede de quadros. Pensamos nesses aspectos, também: otimizar espaços e conferi-los estética são elementos muito importantes na arquitetura. Mas pensamos, principalmente: aonde os cachorros vão brincar? Aonde ficará a horta? Qual será o local de descanso dos funcionários? E o quartinho da bagunça? Teremos sol da manhã nos dormitórios? Aonde vou estender as roupas pra secar? Aonde ficará meu aquário, meus livros, meu cantinho de trabalho quando eu estiver em casa? E o cafezinho para oferecer aos clientes?

Porque saber projetar em arquitetura é isso: encaixar determinado cotidiano sob um teto, entre algumas paredes e – sempre que possível – um pouquinho de jardim, de modo que aquele ambiente construído permita que a vida aconteça de forma leve, bonita e descomplicada.